Henri Castelli teve convulsão: isso é epilepsia? Entenda a diferença
Quando uma convulsão acontece diante das câmeras, a dúvida aparece na hora:
“isso é epilepsia?”
O tema voltou ao centro do debate após o ator Henri Castelli falar, em reportagem do
Fantástico, sobre o episódio descrito como crise convulsiva e sobre a decisão de deixar o programa após avaliação e exames.
Ver a reportagem no Globoplay.
Na repercussão do caso, um ponto foi enfatizado: apesar do evento convulsivo, ele não recebeu diagnóstico de epilepsia.
Ler a matéria (Caras).
Este texto usa esse caso como gancho para esclarecer três termos que muita gente confunde:
convulsão, crise epiléptica e epilepsia.
Importante: não dá para diagnosticar epilepsia por TV ou vídeo. O objetivo aqui é educação em saúde e orientação geral.
1) O que o Fantástico relatou (e por que isso ajuda a esclarecer)
A reportagem descreveu o quadro como crise convulsiva e informou que ele passou por avaliação e exames, com saída do reality por orientação médica.
Fonte (Fantástico/Globoplay).
E a parte mais didática da repercussão foi separar evento de diagnóstico:
ele teve um evento convulsivo, mas isso não significa automaticamente epilepsia — e foi reforçado que não houve diagnóstico de epilepsia.
Fonte (Caras).
Isso é essencial para entender a diferença entre:
ter uma crise/convulsão (um evento) versus ter epilepsia (um diagnóstico).
2) Convulsão: a “parte visível” de uma descarga elétrica anormal
Convulsão é a manifestação motora (rigidez, abalos, queda, contrações involuntárias) de uma
descarga elétrica cerebral anormal — ou seja, quando uma alteração elétrica no cérebro aparece no corpo de forma evidente.
Resumo em uma frase:
convulsão pode estar associada à epilepsia, mas também pode ocorrer em pacientes que não têm epilepsia e estão expostos a fatores desencadeantes.
Na prática, existem dois grandes cenários:
a) Convulsão associada à epilepsia
Quando a convulsão ocorre como parte de crises que têm tendência a se repetir (ou alto risco de recorrência),
dentro do raciocínio diagnóstico de epilepsia.
b) Convulsão por causa aguda (provocada)
Quando ocorre por um fator pontual/desencadeante (por exemplo: febre em crianças, alterações metabólicas importantes,
intoxicações/abstinência, infecções do sistema nervoso central, entre outros). Esse grupo exige avaliação médica porque
algumas causas são urgências.
Se você quiser uma explicação bem acessível ao público (e com exemplos práticos de gatilhos e primeiros socorros),
esta matéria resume bem a discussão:
Veja Saúde (Abril).
3) Crise epiléptica: o evento neurológico (com ou sem convulsão)
Crise epiléptica é um episódio causado por atividade elétrica cerebral anormal.
Ela pode se manifestar de várias formas — e é aqui que muita gente se confunde:
-
Nem toda crise epiléptica é convulsão.
Existem crises epilépticas não convulsivas, como algumas crises focais com alteração de consciência,
crises com automatismos e ausências. -
Mas toda convulsão é uma crise epiléptica, porque convulsão é justamente a manifestação motora
de uma crise causada por descarga elétrica cerebral anormal — ou seja, uma crise epiléptica convulsiva.
Frase para guardar: crise epiléptica pode ser convulsiva ou não; convulsão é a forma convulsiva de uma crise epiléptica.
4) Epilepsia: o diagnóstico (não é sinônimo de uma crise)
Epilepsia é o diagnóstico que indica uma predisposição duradoura do cérebro para gerar
crises epilépticas.
A definição prática mais usada na neurologia moderna foi consolidada em um relatório oficial da
International League Against Epilepsy (ILAE).
Você pode consultar o material original em:
PDF (ILAE, 2014)
e também a página-resumo da ILAE:
ILAE – Definition of Epilepsy (2014).
Em termos simples: uma crise isolada não equivale automaticamente a epilepsia.
Por isso faz sentido a cobertura separar as coisas: houve crise convulsiva, mas não foi dito que ele tem epilepsia.
Fonte (Caras).
5) O que fazer ao presenciar uma convulsão (primeiros socorros)
✅ O que fazer
- Mantenha a calma e marque o tempo da crise.
- Afaste objetos e proteja a cabeça (algo macio).
- Quando possível, coloque a pessoa de lado (posição lateral de segurança).
- Fique com a pessoa até ela recuperar a consciência.
A Associação Brasileira de Epilepsia (ABE) popularizou uma forma simples de lembrar:
o protocolo C.A.L.M.A.
Ver o protocolo (ABE).
❌ O que NÃO fazer
- Não coloque nada na boca.
- Não tente segurar/imobilizar os movimentos.
- Não jogue água, não dê tapas e não ofereça nada para cheirar, comer ou beber durante a crise.
Para uma orientação oficial em linguagem simples (inclusive com o que não fazer),
veja o texto do Ministério da Saúde:
Epilepsia: conheça a doença e os tratamentos disponíveis no SUS (gov.br).
6) Quando é emergência?
Procure pronto atendimento (ou acione urgência) se:
- é a primeira crise convulsiva da vida;
- a crise dura mais de 5 minutos;
- há crises repetidas sem recuperação completa entre elas;
- houve trauma importante na queda;
- a pessoa não recupera como esperado.
7) Fechamento: o que o caso do Henri Castelli ajuda a ensinar
O episódio do Henri Castelli é um bom lembrete público de uma diferença essencial:
convulsão/crise é um evento; epilepsia é um diagnóstico, com critérios e contexto.
E, como foi dito na repercussão do caso, houve crise convulsiva, mas não foi atribuído diagnóstico de epilepsia.
Fonte (Caras).
FAQ (para SEO)
Convulsão é sempre epilepsia?
Não. Convulsão pode estar ligada à epilepsia, mas também pode ocorrer por causas agudas/provocadas e nunca mais se repetir.
Toda crise epiléptica tem convulsão?
Não. Crise epiléptica pode ser convulsiva ou não; convulsão é a forma convulsiva de uma crise epiléptica.
O que faço se alguém convulsionar?
Proteja a pessoa, marque o tempo, coloque de lado quando possível e não coloque nada na boca.
Veja também:
Protocolo C.A.L.M.A. (ABE)
e
orientações do Ministério da Saúde.
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Sou neurologista e atendo em São José dos Campos e Jacareí, além de oferecer
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